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Archive for Novembro, 2010

     

    Encostei-me

    Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
    E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
    A minha vida passada misturou-se com a futura,
    E houve no meio um ruído do salão de fumo,
    Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

    Ah, balouçado
    Na sensação das ondas,
    Ah, embalado
    Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
    De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
    De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
    Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

    Ah, afundado
    Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
    Irrequieto tão sossegadamente,
    Tão análogo de repente à criança que fui outrora
    Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
    Nem as outras álgebras com x e y’s de sentimento.

    Ah, todo eu anseio
    Por esse momento sem importância nenhuma
    Na minha vida,
    Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
    Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
    Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender

    E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

    Álvaro de Campos

    (A notícia AQUI)

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Já está disponível o sistema para o envio de postais virtuais para o Natal.

Envio do Cartão Virtual


A turma CEF B – Curso de Estética

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(Desenhos do Rui)

Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim, a 25 de Novembro de 1845. A Biblioteca Nacional dedica-lhe um espaço AQUI.

Uma boa homenagem ao grande escritor pode passar pela leitura das suas obras. A partir da biblioteca digital Domínio Público, elas podem ser descarregadas e lidas gratuitamente.

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Rómulo Vasco da Gama de Carvalho o nosso António Gedeão, nasceu a 24 de Novembro de 1906, em Lisboa, e deixou-nos, entre outros excelentes poemas, a Pedra Filosofal.

 

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As barcas gritam sobre as águas.
Eu respiro nas quilhas.
Atravesso o amor, respirando.
Como se o pensamento se rompesse com as estrelas
brutas. Encosto a cara às barcas doces.
Barcas maciças que gemem
com as pontas da água.
Encosto-me à dureza geral.
Ao sofrimento, à ideia geral das barcas.
Encosto a cara para atravessar o amor.
Faço tudo como quem desejasse cantar,
colocado nas palavras.
Respirando o casco das palavras.
Sua esteira embatente.
Com a cara para o ar nas gotas, nas estrelas.
Colocado no ranger doloroso dos remos,
Dos lemes das palavras. 

É o chamado rio tejo
pelo amor dentro.
Vejo as pontes escorrendo.
Ouço os sinos da treva.
As cordas esticadas dos peixes que violinam a água.
É nas barcas que se atravessa o mundo.
As barcas batem, gritam.
Minha vida atravessa a cegueira,
chega a qualquer lado.
Barca alta, noite demente, amor ao meio.
Amor absolutamente ao meio.
Eu respiro nas quilhas. É forte
o cheiro do rio tejo.

Como se as barcas trespassassem campos,
a ruminação das flores cegas.
Se o tejo fosse urtigas.
Vacas dormindo.
Poças loucas.
Como se o tejo fosse o ar.
Como se o tejo fosse o interior da terra.
O interior da existência de um homem.
Tejo quente. Tejo muito frio.
Com a cara encostada à água amarela das flores.
Aos seixos na manhã.
Respirando. Atravessando o amor.
Com a cara no sofrimento.
Com vontade de cantar na ordem da noite.

Se me cai a mão, o pé.
A atenção na água.
Penso: o mundo é húmido. Não sei
o que quer dizer.
Atravessar o amor do tejo é qualquer coisa
como não saber nada.
É ser puro, existir ao cimo.
Atravessar tudo na noite despenhada.
Na despenhada palavra atravessar a estrutura da água,
da carne.
Como para cantar nas barcas.
Morrer, reviver nas barcas.

As pontes não são o rio.
As casas existem nas margens coalhadas.
Agora eu penso na solidão do amor.
Penso que é o ar, as vozes quase inexistentes no ar,
o que acompanha o amor.
Acompanha o amor algum peixe subtil.

Poemacto

Herberto Helder, um dos maiores poetas da actualidade, faz hoje 70 anos. Parabéns ao poeta!

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Dádiva de sangue

Todos os dias são bons para dar sangue. Amanhã é bom dia para dar.
Dê sangue!

O Clube da Saúde vai, mais uma vez, colaborar com o Instituto Português do Sangue promovendo a campanha de recolha de sangue, que se  realizará no auditório da nossa escola, na segunda-feira (22 de Novembro), das 9:00 às 12:30.

Esta campanha, todos os anos organizada pela colega Ofélia Morais, tem trazido à nossa escola pais e encarregados de educação, antigos colegas, funcionários e alunos, entre outros felgueirenses que, deste modo, colaboram com a comunidade escolar para o sucesso desta iniciativa.
A dádiva de sangue é de importância extrema:
O sangue não se fabrica artificialmente e só o Ser Humano o pode dar. Como tal, o sangue existente nos serviços de sangue dos Hospitais depende diariamente de todos os que decidem dar sangue, de forma benévola e regular, partilhando um pouco da sua saúde com quem a perdeu.

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